Dr. Vinícius Menezes

Andrologia, Infertilidade e Medicina Sexual

Infertilidade

A definição de infertilidade para um casal é quando não há gravidez após 1 ano de relações sexuais, sem o uso de métodos contraceptivos. Nos casais investigados, em 60% dos casos o homem tem participação na infertilidade. A investigação masculina consiste na avaliação de todo histórico clínico para detectar possíveis fatores de risco, exame físico, espermograma, avaliação hormonal, fragmentação de DNA espermático, microdeleção do cromossomo Y e cariótipo.

Causas

Varicocele: Formação de varizes nas veias da região escrotal onde ficam alojados os testículos. As dilatações dessas veias prejudicam o fluxo sanguíneo, a troca de nutrientes e levam ao acúmulo de substâncias tóxicas e aumento de temperatura. Esses fatores provocam a oligozoospermia (redução de espermatozoides em número e qualidade).

Hormonal: Predisposição genética, tumores, medicamentos (como os de controle da hipertensão) e certas doenças podem alterar o equilíbrio hormonal, refletindo na fertilidade. A baixa produção de testosterona é um dos problemas mais comuns e que afeta diretamente a produção e qualidade dos espermatozoides.

O hipotireoidismo prejudica a espermatogênese pelo desequilíbrio endocrinológico.

Obesidade, diabetes e hipovitaminose também estão fortemente ligados à piora da qualidade do sêmen.

Infecciosas: Quando atingem as vesículas seminais ou a próstata, as glândulas responsáveis pela produção do líquido seminal podem alterar as características químicas do sêmen ou possibilitar a ação de microorganismos sobre ele. Esse processo pode se alastrar para os testículos ou canais que transportam os espermatozoides e o líquido seminal. Seja qual for o caso, o efeito é o mesmo: infecções e inflamações que afetam a mobilidade dos espermatozoides, podendo até imobilizá-los por completo.

Imunológicos: Em condições normais, os espermatozoides permanecem confinados no interior dos testículos, sem contato com a circulação sanguínea. Traumas, infecções ou vasectomia podem romper esse isolamento, estimulando a produção de anticorpos pelo organismo, para combater o que se identifica como um agente externo.

Antecedentes: Histórico de criptorquidia (testículo fora da bolsa testicular), cirurgias prévias de hérnia inguinal, uretra e próstata, são fatores que devem ser avaliados. Exposição à radiação, quimioterápicos e inflamações como caxumba também são prejudiciais para produção de espermatozoides.

Drogas: O uso de álcool, cigarro e maconha afeta o sucesso da concepção e deve ser evitado.

Disfunção Erétil

É a condição que consiste na dificuldade ou incapacidade de obter e manter uma ereção para a consumação do ato sexual. Esta condição está presente se houver episódios recorrentes e frequentes. Por isso, é importante consultar um urologista para entender se é o seu caso.

Uma das causas principais da disfunção erétil é o emocional, outras causas são de origem vascular, neurogênica, hormonal ou alterações anatômicas do pênis. O tratamento pode incluir desde alterações de hábitos e estilo de vida do paciente até medicamentos que estimulam a ereção. É possível ainda utilizar injeções no pênis  ou próteses penianas para contribuir com o tratamento

Distúrbios Ejaculatórios

Caracterizados por dificuldade ou anormalidades no processo ejaculatório. São eles:

  • Ejaculação precoce: condição em que o homem não consegue controlar a ejaculação, atingindo o orgasmo logo após a penetração ou até mesmo antes. Geralmente está associado a fatores psicológicos.
  • Ejaculação Retardada: disfunção em que há o atraso ou ausência da ejaculação mesmo com o estímulo de masturbação ou ato sexual.
  • Ejaculação Retrógrada: redução ou ausência da saída de esperma durante a ejaculação que acontece porque o esperma vai para a bexiga em vez de sair pela uretra durante o orgasmo.
  • Anejaculação: ausência de ejaculação durante a atividade sexual mesmo atingindo o orgasmo e ereções normalmente.

Hipogonadismo / Baixa de testosterona

É uma condição que ocorre a deficiência na produção de hormônios masculinos, no caso do homem, a testosterona. Uma vez que a testosterona é responsável pelas características masculinas e tem papel importante na produção de espermatozoides, o hipogonadismo é uma condição que pode afetar a sexualidade e a fertilidade masculina.

Os principais sintomas do hipogonadismo envolvem diminuição do desejo sexual, perda de massa muscular, desânimo, perda de vigor físico, voz aguda, testículos pequenos, crescimento de mamas nos homens e infertilidade.

As causas podem ser diversas, no caso do hipogonadismo primário, em que a disfunção está no testículo, as causas podem ser distúrbios cromossômicos (síndrome de Klinefelter, por exemplo), criptorquidismo (testículos fora da bolsa escrotal), doenças infecciosas como caxumba e tuberculose, medicamentos, lesões cirúrgicas ou traumáticas, além de uso de drogas.

No caso do hipogonadismo secundário, em que a disfunção está no hipotálamo ou hipófise, as causas podem ser tumores na região, doenças como sarcoidose e tuberculose, inflamações na hipófise, medicamentos e traumas. Ainda há o hipogonadismo masculino tardio em que há diminuição da produção de testosterona devido ao envelhecimento.

O tratamento muitas vezes consiste na reposição de testosterona em doses fisiológicas após descartadas outras causas como infecções e tumores. A prescrição deve ser feita por um urologista, exige seguimento adequado e deve ser individualizada para cada homem.